Desenvolvimento · Opinião

Você precisa MESMO usar um framework Web? Já considerou não precisar usar NENHUM?

Este post parte da resposta dada por Rasmus Lerdorf (um dos criadores da linguagem PHP) quando perguntado sobre o que achava dos frameworks PHP existentes no mercado. O vídeo da resposta está abaixo. Sim, está em inglês, mas ativando a legenda e se você souber um pouco em inglês entenderá algo da discussão:

Lerdorf responde que nem todo mundo precisa de um framework de propósito geral, pois, se por um lado o framework ajuda a não reinventar a roda, ao mesmo tempo ele vem com várias e várias coisas desnecessárias ao projeto, não inerentes à ele e que podem atrapalhar a performance da aplicação, por exemplo.

Projetos · Software · Trabalho

Revisão de expectativas

Como expliquei no post anterior, nos últimos dois meses estive empenhado em criar um CMS próprio. Ele seria usado para conter cupons de desconto de lojas de vestuário. A forma de monetização dele seria conter “deep links”, no estilo marketing de afiliados.

Depois de dois meses cheguei a conclusão que fui longe demais. Por que fazer um CMS próprio? Bem, eu usaria tecnologias novas que me pouparia custos. Mas como assim, investir em um modelo de negócios que nem foi testado por mim antes? Não estaria colocando a carroça na frente dos bois?

Sim, estaria. A bem da verdade é que comecei a estudar as tais tecnologias novas e, empolgado, “engatei uma quinta” e fui embora, desembestado. Esqueci as ideias e análises no livro “Traction” (ver no fim do post) que havia lido antes: começar pequeno e ir testando. Metade do tempo, sim, desenvolver produto, e outra metade na “tração” (ou seja, trabalhar para o negócio vingar).

Na virada do ano ocorreu-me o “estalo”. Caramba, o pêndulo foi longe demais. Eu estou desenvolvendo software pura e simplesmente sem entrar em jogo. E ainda não havia terminado, embora estivesse uns 40% pronto.

Blog · Opinião · Tecnologia

Grandes startups, pequenos negócios…

Startups… O YouTube tem 12 anos e nunca deu lucro. Twitter também nunca de lucro. Assim como o Foursquare, Instagram, WhatsApp… Facebook sofre para conseguir alguma receita, isso porque não paga os produtos de conteúdo. Blogs do Tumblr tem bilhões de pageviews, mas a receita é de alguns milhões, o que dificulta as operações. O que dá errado? E por que tantas pessoas desejam seguir pelo mesmo caminho: monte uma startup, capte investimentos, fique rico vendendo ela?

Lembro um colega da empresa de tecnologia em que trabalhei, numa dessas conversas descompromissadas no retorno do almoço, que tudo o que ele gostaria de ter é uma grande ideia em que ele pudesse gerar milhões e milhões de dólares logo de uma vez e assim definitivamente não precisar mais voltar a trabalhar no velho esquemão CLT 8h/dia.

Realmente, é de se impressionar com as cifras que muitas startups com pouco tempo de vida movimentam, através dos seus investidores. O que atiça a imaginação de muita gente de tentar esse caminho. Tentador: um lugar legal, alguns programadores e designers e voilà, um produto diferente disponível na Web custando poucos reais em infraestrutura de nuvem.

Mas será que é tudo isso mesmo? É tudo tão simples assim?

Blog

Quando comecei a programar…

Quando comecei a programar? Lembro como se fosse ontem. Dezesseis anos de idade (ou quatorze anos atrás…), segundo ano do curso técnico em processamento de dados.

Eu tinha tido lógica de programação no primeiro ano do colegial. E começaria a ver programação na prática no segundo ano (usando Pascal), porém naquelas férias de 2002/2003 eu ainda não sabia. Estava curioso demais para começar.

Daí, na curiosidade, já de férias no final de 2002, fui para o centro de São Paulo, de carona, ajudar o meu pai em um serviço da associação em que ele trabalhava. Ele precisava trazer brinquedos que seriam comprados na Rua 25 de março a fim de ser distribuídos gratuitamente para crianças carentes do bairro. E eu aproveitei para passar na Rua Santa Ifigênia, próxima dali, e reduto da informática na cidade.

Se hoje a Santa Ifigênia já parece uma bagunça imagine 15 anos atrás, com camelôs no meio da rua vendendo CDs aos montes e a iminência do “rapa” da polícia a todo momento. Todo tímido, paramos num rapaz que vendia CD-ROMs de tudo que era tipo: games, softwares, programas gráficos. Daí perguntei para ele se ele tinha o Visual Basic. Ele disse que não era assim, era preciso comprar o famigerado Visual Studio (naquela época, o 6.0) e ele viria junto (juntamente com o Visual C++, FoxPro etc.) Uns R$ 15 e comprei o VS 6.0, mais o AutoCAD 2000.

Visual Basic 6.0
Visual Basic 6.0 (Fonte: Wikipedia)

Meu interesse pelo Visual Basic veio de um livro que encontrei na biblioteca da escola, numa aula vaga. Lembro-me do nome do livro até hoje: “Visual Basic 6 para Leigos Passo a Passo” (e, sim, ainda está disponível para venda por aí). Me pareceu fácil e eu não tinha muito a ideia por onde começar a estudar programação. VB me pareceu fácil, uma sintaxe relativamente simples, e no Visual Studio bastaria arrastar e soltar os elementos numa janela que, pronto, lá estaria o programa visualmente falando.

Pois bem, software comprado e instalado no PC Itautec Celeron 2GHz (lento para danar), só me restava o material de estudo.

Então comecei a buscar nas lojas virtuais da época onde comprar o famigerado livro que vi na biblioteca da escola (a escola emprestava o livro apenas para os estudantes da faculdade.) Fui no Submarino e encontrei ele à venda. Imprimi o boleto, saiu em tinta verde porque não tinha tinta preta no cartucho e pedi para pagarem, pois eu nem sabia como pagar aquilo (!).

Chegando o livro lá fomos nós. Empolgado! Ficava encostado na cama lendo o dito-cujo para depois sentar na máquina e reproduzir. Eu estava lá e era lindo! Você colocava alguns elementos (botões, labels, textboxes), adicionava eventos via códigos Visual Basic e rodava – lá estava o programa funcionando!

Tudo muito simples, mas para um iniciante, era o que havia. Clica no botão, aparece a mensagem “Olá mundo!” em um MsgBox. Coisas do tipo.

Começando o segundo ano do colegial, lá viriam as aulas introdutórias de programação na prática. Usávamos Turbo Pascal, e no terceiro ano teríamos Borland Delphi (2004).

Em 2005 estava saturado da informática. No colégio tínhamos mais de uma dúzia de matérias por vez. Muitas provas, muitos trabalhos… E eu estava de saco cheio de estudar. Queria uma profissão em pudesse exercitar a criatividade e fui para a publicidade.

Logo oficial da linguagem Python
Logo oficial da linguagem Python (Fonte: https://www.python.org/community/logos/)

Voltei a mexer com programação em fins de 2007. Conheci Python. Em 2008 botei um blog usando Django. E voltei a programar, mas com foco em Web. Atribuo ao Python minha volta à programação. Com essa linguagem programar parecia divertido. Os códigos ficavam bonitos, tudo era fácil de se aprender e de se fazer… Daí estou nessa até hoje. E passei pelo PHP, WordPress, ActionScript com Flash, Magento, .NET, Xamarin e Ionic…


Depois de tudo isso, o que penso sobre programar:

Nunca imaginei, quando moleque, que passaria boa parte da minha vida com a cara enfiada num monitor, lidando com códigos. Já avaliei sair da área várias e várias vezes. Me dedicar a um trabalho que envolva mais criatividade, que fosse mais variado, que envolvesse um maior contato com pessoas… Tudo no lugar de passar 8 horas por dia na frente de um computador se debruçando sobre bugs e funcionalidades dentro de um prazo.

É verdade que programar não é só a parte chata de se trabalhar com TI, ter que lidar com códigos cagados de outrem, bugs incompreensíveis e a sensação de se estar obsoleto todo o tempo. Se você realmente for um apaixonado por programação provavelmente irá se dedicar às suas horas vagas aos seus projetos particulares.

No fundo, à despeito de qualquer desgosto que eu tenha tido, penso que programar não deixa de ser uma atividade criativa também. Ou pelo menos, deve ser encarada dessa forma: um jeito de se criar coisas novas que podem ser usadas. E ser vista assim principalmente por quem está começando, como fez aquele  menino de dezesseis anos do litoral de São Paulo que acabou de instalar uma IDE no seu computador e vai começar a jogar alguns programas na tela.

Gadget · Opinião

Sobre o Mix Leitor D

Mix Leitor DEstou há tempos para escrever uma resenha sobre o Mix Leitor-D, um leitor de livros digital fabricado pela Mix Tecnologia, empresa nacional baseada em Pernambuco.

Comprei-o há cerca de dois meses. Confesso que gostei muito do aparelho. Ele cumpre bem a missão de servir de leitor de e-books. Suporta vários formatos, além de permitir a execução de músicas e rádio (usando os fones de ouvido que acompanham o aparelho). Neste artigo da Wikipédia você pode ver mais detalhes técnicos.

O que pude notar é que o Leitor-D tem diferenciais com relação aos concorrentes (no caso de tocar áudio, o que me agradou muito), gostei da navegação e do acelerômetro, e senti falta de algumas coisas (como um número maior de fontes tipográficas).

Mas uma coisa que me deixou chateado foi seu sistema operacional, que achei muito instável. Já travou várias vezes, e para reiniciá-lo você precisa forçar um desligamento ou então ligá-lo na tomada (!) e forçar assim o reinício. Por isso, se você for viajar leve consigo o carregador, não porque ele consumirá bateria (a autonomia dos e-readers é longa) mas para poder usar.

Outra: em três meses de uso a bateria pifou. Não queria mais iniciar. Tive que enviar para assistência técnica (ou seja, lá para Recife) e tive que gastar ainda com o frete. Um inferno.