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A ilusão brasileira de se tornar um jogador de futebol rico

Uma das formas consagradas de ascensão social no Brasil, além de ser cantor sertanejo, ex-BBB e “modelo e atriz”, é a de ser jogador de futebol.

Antes um sonho relegado às classes mais baixas, que viam num possível futebolista a chance de sair da pobreza e também não precisar mais trabalhar, tendo o craque como arrimo de família, esse, vamos dizer assim, “sonho” passou também a estar presente nas famílias de classe média, tradicionalmente mais identificadas com um sonho de emprego no mundo corporativo (que traria, junto ao dinheiro, um suposto “status”).

Entendo que essa aceitação da ideia de ter um filho jogador de futebol na classe média se deu a partir do surgimento de nomes como Kaká, vindo de família bem-estabelecida (o pai sendo engenheiro civil) e pelas cifras envolvendo o mundo da bola, cada vez mais crescentes. Ser jogador deixou de ser vista tão-somente como uma profissão para pessoas tidas como desqualificadas, vindas de famílias desestruturadas e que viam na bola um prato de comida. O boleiro virou atleta.

Mas meu ponto aqui não é fazer sociologia de botequim mas sim me ater aos fatos. Quero discorrer um pouco sobre essa ilusão que muitos acham que é fácil se tornar um jogador bem-sucedido, que ganhará milhões de euros e terá vários carros na garagem.

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A lama e a fama: a diferença é muito mais que uma letra

Eu estava passeando pelo Youtube – atualmente estou com muito tempo livre e não sei o quanto isso é bom ou ruim -, e me deparei com um canal de um jovem, na faixa dos 20 anos, que, além de se expressar usando gírias e ter uma aparência um tanto exótica, tem como proposta topar desafios nos seus vídeos.

Um dos “desafios” consistia em deixar o pé para ter ele atropelado por uma roda de carro em movimento. É isso mesmo: a proposta é ter o pé atropelado por um carro, filmar e jogar no Youtube. Tudo para quê? Ora, para obter milhões de visualizações com o choque da imagem e faturar dinheiro com os anúncios, claro.

(Nessas ocasiões eu fico imaginando se o Tim Berners-Lee, o criador da Web, não se arrependeu da sua invenção.)