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Saímos da televisão e vamos para a internet falar sobre televisão

O brasileiro é mesmo um povo a ser estudado.

Olhando no Google Trends relativo ao ano de 2017 é possível aferir que o que mais se busca na internet brasileira é… informação sobre televisão. E principalmente aberta.

O Trends é um serviço gratuito do buscador voltado a informar quais são os termos mais buscados na atualidade, entre outros.

Impossível para mim não lembrar de Diogo Mainardi numa de suas colunas: o brasileiro assiste cada vez menos TV e usa mais internet. E qual o assunto da internet? A TV.

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A ilusão brasileira de se tornar um jogador de futebol rico

Uma das formas consagradas de ascensão social no Brasil, além de ser cantor sertanejo, ex-BBB e “modelo e atriz”, é a de ser jogador de futebol.

Antes um sonho relegado às classes mais baixas, que viam num possível futebolista a chance de sair da pobreza e também não precisar mais trabalhar, tendo o craque como arrimo de família, esse, vamos dizer assim, “sonho” passou também a estar presente nas famílias de classe média, tradicionalmente mais identificadas com um sonho de emprego no mundo corporativo (que traria, junto ao dinheiro, um suposto “status”).

Entendo que essa aceitação da ideia de ter um filho jogador de futebol na classe média se deu a partir do surgimento de nomes como Kaká, vindo de família bem-estabelecida (o pai sendo engenheiro civil) e pelas cifras envolvendo o mundo da bola, cada vez mais crescentes. Ser jogador deixou de ser vista tão-somente como uma profissão para pessoas tidas como desqualificadas, vindas de famílias desestruturadas e que viam na bola um prato de comida. O boleiro virou atleta.

Mas meu ponto aqui não é fazer sociologia de botequim mas sim me ater aos fatos. Quero discorrer um pouco sobre essa ilusão que muitos acham que é fácil se tornar um jogador bem-sucedido, que ganhará milhões de euros e terá vários carros na garagem.

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A internet tá chata

Você vai à caça de notícias ou de um blog bacana. E logo pipocam as caixas pedindo para enviar notificações. Não, não e não. Ou então um paywall: assine nosso jornal, só R$ 1,99 por mês, jornalismo de qualidade. Clica no X para fechar.

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Trocentos banners de propaganda enquanto se rola o texto. É preciso: O AdSense paga pouco. Volume é necessário.

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A lama e a fama: a diferença é muito mais que uma letra

Eu estava passeando pelo Youtube – atualmente estou com muito tempo livre e não sei o quanto isso é bom ou ruim -, e me deparei com um canal de um jovem, na faixa dos 20 anos, que, além de se expressar usando gírias e ter uma aparência um tanto exótica, tem como proposta topar desafios nos seus vídeos.

Um dos “desafios” consistia em deixar o pé para ter ele atropelado por uma roda de carro em movimento. É isso mesmo: a proposta é ter o pé atropelado por um carro, filmar e jogar no Youtube. Tudo para quê? Ora, para obter milhões de visualizações com o choque da imagem e faturar dinheiro com os anúncios, claro.

(Nessas ocasiões eu fico imaginando se o Tim Berners-Lee, o criador da Web, não se arrependeu da sua invenção.)

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A batalha pelo foco

Nunca tivemos tantas opções de trabalhos diferentes, tantas opções para se ganhar dinheiro. E no entanto nunca fomos tão dispersos…

Nunca se exigiu tantas capacidades como hoje em dia. Mas se tivesse que escolher uma como principal, seria foco.

Eu sei que isso parece “bullshitagem” de mundo corporativo. Mas não é. Odeio toda essa “bullshit” de mundo corporativo, de termos em inglês, busca por feedback, stakeholders, core business. Se você é como pode continuar a leitura do texto.

Pois bem: o que quero dizer é que hoje estamos numa constante batalha, meio que como cegos no tiroteio, por lados combatentes querendo nossa atenção. Redes sociais, blogs, aplicativos de celular com suas notificações, games, filmes e séries…

A grande dificuldade no meio disso tudo é se concentrar em uma coisa realmente importante para você e conseguir manter a atenção. É mantendo a atenção que lemos algum livro, criamos alguma coisa (um texto, artesanato, o que for), fazemos algo com produtividade e até o fim.

Atenção virou uma commoditie na era da nova economia. Todos querem a sua atenção: o Facebook, o WhatsApp, o Netflix, o Twitter, a loja Steam, os portais, os blogs. A fim de te manter neles eles fazem de tudo: notificações a toda hora, promoções irresistíveis, novidades instantâneas. Saímos do computador para ir direto para o celular. Do celular para o tablet. Do tablet para Smart TV.

A grande batalha do século 21 será a batalha pela atenção.

 

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