Brasil · Político

Que Brasil o Brasil quer ser?

Que Brasil o Brasil quer ser?

Essa é a primeira eleição geral depois dos protestos de 2013-2016.

Naquelas manifestações, que reuniram milhões de pessoas, havia um fator unificante: o repúdio da população à corrupção, à má administração e à classe política de uma maneira geral, com raras exceções.

Lembro de ter ido à Avenida Paulista em duas manifestações, em 2015. À despeito desse sentimento de revolta difuso no ar, me chamava a atenção as diferenças entre algumas solicitações dos manifestantes.

Eu me recordo de ter visto cartazes de todos os tipos. Os mais visíveis eram de apoio à Operação Lava-Jato, ao juiz Sérgio Moro e pedidos de impeachment da Dilma. Porém, haviam de outros tons: lembro de pessoas pedindo privatizações, e de outros – um grupo pequeno, diga-se -, pedindo intervenção militar. Cartazes contra o Foro de São Paulo e contra o comunismo também se faziam presentes, ao lado de outros contra ideologia de gênero, “Olavo tem razão”, entre outros.

O colapso da “velha política”

Um ponto interessante e que também chamou pouco a atenção foi a iniciativa de grupos liberais e sua importância na organização do movimento. Destaco dois: o MBL e o Vem Pra Rua. No entanto, um dos poucos políticos aclamados nesses protestos (com direito a discurso em carro de som, até) foi Jair Bolsonaro.

Bolsonaro até então era caricaturizado pela (então) grande mídia como um defensor do regime militar e por suas declarações controversas e, por consequência, de uma economia estatizada – o que fazia contraponto às ideias de muitos dos organizadores dos protestos.

Mas estava todo mundo unido ali, na ocasião. Afinal, todos queriam o PT fora.

Eu volto a atenção à esses detalhes dos cartazes e incoerências nos protestos para deixar a seguinte pergunta: Que Brasil o Brasil quer ser?

A pergunta que precisa de resposta…

É uma pergunta que tem martelado na minha cabeça nos últimos dias. E daí tive que “botar para fora” na forma desse texto. Faço ela depois de ver o sucesso arrebatador que a oposição ao arranjo PT-PSDB (que polarizava as eleições desde 1994) obteve nas recentes eleições.

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Nessa oposição, principalmente concentrada na bancada bolsonarista do PSL, tem de tudo – de militaristas à liberais, passando por conservadores, oportunistas de plantão, intelectuais, celebridades anti-establishment etc. etc.

O que me fez recordar do caleidoscópio de demandas nos protestos de 2013-2016.

A sociedade se organizou e deu uma bela resposta nas urnas. É um Brasil novo que queremos daqui para frente. Mas qual Brasil?

O brasileiro quer pagar menos imposto, mas me parece querer que o Estado resolva tudo por ele – vale lembrar o “O Brasil que eu quero” do Jornal Nacional e a sua estatolatria. O brasileiro quer menos burocracia, ao mesmo tempo que sonha em ser funcionário público (e burocrata). O brasileiro reclama dos privilégios dos políticos, ao mesmo tempo em que defende privilégios aos “amigos” (na forma de bolsas e benefícios dados pelo governo, mantendo um ciclo de “voto de cabresto”).

Será interessante acompanhar o Brasil daqui em diante. É animador saber que há desejo por mudanças. Mas a questão é responder: qual Brasil os brasileiros querem?

Mãos à obra.

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