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Escravidão voluntária

Escravidão voluntária

Boa parte do subdesenvolvimento do Brasil advém da falta de capacidade do brasileiro de vislumbrar alternativas fora do Estado.

Quando o assunto gira em torno do fato do Brasil ser ferrado, vira e mexe alguém já dá a cartada: “ah, o Brasil é atrasado porque nossos políticos são ladrões”. Ou quando ocorre algum problema (ex.: desemprego) a “solução” apresentada é sempre algo do tipo: “ah, o governo tem que fazer alguma coisa”.

E quando você apresenta alguma alternativa fora dessa Matrix, principalmente para alguém viciado em Estado (ou seja, 99% dos brasileiros) você imediatamente recebe um “crachá”. De que seu ponto de vista é “liberal”, que é “neoliberal” ou coisa do tipo (aqui escrevo me baseando em experiência pessoal).

E assim o brasileiro continua acreditando nas mesmas coisas. E assim obtendo os mesmos resultados: crescimento curto, recessão longa. Volta do desemprego. Inflação. E por aí afora.

Aí vem as eleições presidenciais. Falando com a experiência de 31 anos de Brasil, algum bocado de livros lidos a fim de entender a razão desta terra antártica ser tão “lenhada” e de quem já não está mais em Matrix ideológicas há um bom tempo, a impressão que eu tenho é de que o brasileiro precisa parar de procurar salvadores da pátria e entender que alguma solução para o País está fora do Estado.

O brasileiro quer mudar tudo sem mudar nada

Quando você começa a dizer que é preciso reformar a previdência, alguém já se levanta: “mas nada de mexer na minha aposentadoria”. Quando é a flexibilização das leis trabalhistas: “nenhum direito a menos”. Quando o assunto é reduzir impostos, aí vem os concurseiros…

Ou seja, o brasileiro quer mudar tudo sem mudar nada. Achando que tudo se resolve combatendo a corrupção (não, não é).

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E assim seguimos, pagando montes de impostos, elegendo as mesmas pessoas com os mesmos pensamentos e criando dificuldades.

Mate o Brasil que existe dentro de você

Não vou entrar em muitos detalhes, mas a minha visão é parecida com a do Mark Manson: o problema do Brasil está essencialmente no brasileiro.

De que adianta esperar algo dos governantes, se eles foram eleitos por nós e nos representam – sobretudo naquilo que a gente tem de pior?

Aplicando o Princípio de Pareto aqui, o país deve melhorar uns 80% com o brasileiro deixando de ser 20% escroto.

Sim, 20% menos tosco. Menos egoísmo, menos falsidade, menos vaidade, menos agressividade, menos oportunismo, menos desconfiança

Moro na cidade mais rica do país. Confesso que, em todo lugar que vou, sempre vejo esse brasileirismo em algum lugar ou coisa. É fila furada, é gente querendo levar vantagem em cima de vantagem…

E sem fazer o trabalho duro de se melhorar como povo, perdemos as esperanças em nós mesmos – daí nos apegando a figura do “salvador da pátria”, que, uma vez com a caneta na mão, vai agir como um Superman, indo a todos os lugares e resolver todos os problemas…

Não, isso não funciona. O Brasil tá nessa ideia já há quase 100 anos, pelo menos.

Quer mudar? Que tal começar pensando diferente?


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