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“E aí??? Você é de direita ou é de esquerda!?” Examinando o mito da “polarização” nas redes sociais

Esquerda ou direita. Examinando o mito da polarização nas redes sociais

Ontem eu estava assistindo ao Roda Viva com Hélio de la Peña. Eu quase nem ligo mais a TV, mas descobri que iria ter a entrevista durante o comercial e, como fã do grupo Casseta, fiquei para ver a entrevista.

O programa começou com o Augusto Nunes (Veja, Jovem Pan) fazendo uma pergunta sobre como se deu a mudança de carreira de Hélio, que fazia faculdade de engenharia antes de se tornar humorista. Foi uma pergunta interessante.

Depois vieram duas perguntas, uma vinda de uma jornalista do Estadão e outra de um do Valor Econômico. Ambas giraram em torno do mesmo assunto: racismo.

Eu, que não via o pessoal do Casseta & Planeta fazia tempos, fiquei frustrado com o rumo que o programa parecia estar tomando. Parecia que ali não estava um artista com mais de 30 anos de TV, mas um militante de movimento social cujo objetivo dos jornalistas era tentar “espremer” e denunciar o tripé machismo-racismo-homofobia no mundo. Vendo que o programa se tornaria uma grande timeline de Facebook, desliguei a TV.

Fico pensando em como chegamos a tal ponto. Em passar a pautar todo o raciocínio ao espectro ideológico. À politização de tudo. De tudo virar política.

Jornalistas de portal, principalmente, são os que mais enfatizam esses tempos de “polarização”. A bem da verdade é que essa “animalização da linguagem” tem outra origem.

O que eu tenho visto surgir nos últimos tempos é justamente o aparecimento de vozes divergentes ao “senso comum” que permeava a imprensa e a indústria cultural, cuja matriz de pensamento é de esquerda. Porém, com a internet, redes sociais e suas caixas de comentários, esses personagens passaram a ser confrontados com ideias opostas às suas. Jornalistas e artistas passaram a ficar emparedados, tendo que lidar com argumentos divergentes, na maioria das vezes mais bem fundamentados e corretos.

A ascensão do isentão e o verdadeiro fascista na história toda

Daí o jeito foi apelar para uma tentativa de “isentismo“, dizendo que “vivemos tempos de polarização”. Um mito. Essas pessoas de pensamento mais conservador sempre existiram. A internet que lhes deu voz. Apenas isso.

Além do mais, muitas pessoas passaram a se informar melhor. Resolveram sair da “Matrix esquerdista”. Passaram a travar contato com ideias diferentes da do seu professor de História do colégio. Livros de autores antes ignorados passaram ser publicados. Blogs surgiram, canais do YouTube idem. Foi-se o tempo da voz única.

Polarização, no sentido de apresentação de ideias antagônicas (e não radicalismo barato), por si só não é algo ruim. Pelo contrário: é da democracia. Quem tentava combater a polarização era justamente o fascismo e o comunismo: o primeiro tentando juntar várias ideias a fim de tentar se colocar acima dos conceitos tradicionais de esquerda-direita; o segundo, simplesmente anulando a diferença de opinião através de totalitarismo.

Nos dias de hoje o pessoal do jornalismo pisa em ovos, já tomando cuidado para não parecer preconceituoso e tentando se colocar acima do bem ou do mal. Balela. Até o pessoal do Hermes e Renato já sabe qual é a dos militantes de portal:

 

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