Blog · História · Opinião

Caçando Moby Dick

Sobre obsessões por coisas que já não têm mais importância.


No romance Moby Dick é contada a história de fúria vingativa do Capitão Ahab, que se lança aos mares em busca da baleia Moby Dick. Em nome do próprio ego, vai atrás de um animal já indiferente a sua existência.

Essa história é analisada muitas vezes sobre o viés de como a natureza pode ser cruel – e ela o é, apesar da visão edênica que muitas vezes temos dela. No entanto, o tópico principal é a visão de como a ambição humana pode ir longe, chegando às raias da loucura.

Como lembrado pelo escritor Ryan Holiday em O Ego é o seu Inimigosaímos à caça de uma Moby Dick por razões já esquecidas.

Não seria mais fácil esquecer, se reinventar? Como o conselho dado por um fictício Larry Summers aos irmãos Winklevoss, depois da rasteira dada por Mark Zuckerberg: “Esqueçam isso. Partam para outra. Façam novos projetos”. Afinal, águas passadas não movem moinhos… Continue reading “Caçando Moby Dick”

Ensaio · Negócios · Opinião · Trabalho · Vida

Nassim Nicholas Taleb: Um funcionário é basicamente um “cão obediente e domesticado”

Tradução livre de artigo publicado na página do autor no LinkedIn. Também é um trecho do seu mais novo livro. Como leitor e fã dos livros de Taleb resolvi publicar essa versão em português. É um texto provocador, para refletir.

Só um adendo para não-conhecedores do autor: “pele em jogo”, largamente usada no artigo abaixo, é uma expressão que poderia ser traduzida como fazer coisas colocando o “seu” na reta, numa adaptação abrasileirada desse termo.


“Toda organização quer que um certo número de pessoas associadas a ela sejam privadas de certa parcela de sua liberdade. Como você possui essas pessoas? Primeiro, por condicionamento e manipulação psicológica; segundo, ajustando-os para ter alguma ‘pele em jogo’, forçando-os a ter algo significativo a perder se desobedecerem à autoridade. Na máfia as coisas são simples: homens mandados (ou seja, comandados) podem ser mortos se o capo suspeitar de falta de lealdade, com uma estadia transitória no porta-malas de um carro – e uma presença garantida do chefe em seus funerais. Para outras profissões, a ‘pele em jogo’ vem em formas mais sutis. Continue reading “Nassim Nicholas Taleb: Um funcionário é basicamente um “cão obediente e domesticado””

Blog · Livros · Opinião · Tecnologia

Vale a pena ter um Kindle?

Tive um Kindle Paperwhite por dois anos. Antes, eu tive um e-reader de fabricação nacional, que se quebrou sozinho em meses. Fiquei com uma péssima impressão sobre e-readers até me dar uma segunda chance e tentar o gadget da Amazon.

O Kindle é um excelente aparelho. A experiência da leitura com ele (velocidade e usabilidade) me surpreenderam e removeram aquela velha impressão.

Mas aqui não quero falar dos predicados do aparelho. Mas sim tecer um breve comentário e ajudar o leitor a saber se ele tem o perfil de quem poderia usar um Kindle. Continue reading “Vale a pena ter um Kindle?”

Desenvolvimento · Opinião

Você precisa MESMO usar um framework Web? Já considerou não precisar usar NENHUM?

Este post parte da resposta dada por Rasmus Lerdorf (um dos criadores da linguagem PHP) quando perguntado sobre o que achava dos frameworks PHP existentes no mercado. O vídeo da resposta está abaixo. Sim, está em inglês, mas ativando a legenda e se você souber um pouco em inglês entenderá algo da discussão:

Lerdorf responde que nem todo mundo precisa de um framework de propósito geral, pois, se por um lado o framework ajuda a não reinventar a roda, ao mesmo tempo ele vem com várias e várias coisas desnecessárias ao projeto, não inerentes à ele e que podem atrapalhar a performance da aplicação, por exemplo. Continue reading “Você precisa MESMO usar um framework Web? Já considerou não precisar usar NENHUM?”

Blog · Opinião

O mito do planejamento

O problema do Brasil é falta de planejamento. O brasileiro não planeja. Para montar um negócio de sucesso é preciso planejamento. Se tivesse planejado antes… Quem nunca ouviu que tudo é uma questão de planejamento?

A primeira vez que fui dar uma real importância ao planejamento – mas com base, e não simplesmente vindo da boca para fora de alguém -, foi em 2015, durante um evento no Sebrae.

O tal evento reunia pessoas que estavam interessadas ou já tinham um e-commerce. Eu estava começando a Vórtice Internet. Achei que indo lá poderia ter alguma chance de trocar uma figurinha, apresentar meu trabalho, obter contatos. Daí o apresentador do evento deu uma palestrinha de cerca de uma hora e meia.

O palestrante, muito interessante, falou sobre planejamento. Falou de suas experiências profissionais a respeito disso. De se analisar o mercado e concorrentes. Comparou o japonês, o americano e o brasileiro, que o brasileiro não planeja, como se deve planejar um negócio e porque isso é importante.

Achei bastante relevante, e saí plenamente convencido. Até certo ponto, pelo menos, eu acho…

Dali em diante fiquei encucado com a importância de se planejar. De se por tudo no papel antes de fazer alguma coisa. De prever custos, riscos, ver concorrência.

Qualquer ideia que eu tinha lá ia eu para o Excel botar tudo. Qualquer sitezinho eu levantava as informações, custos, o que precisaria. E confesso: esse tipo de mentalidade ajuda.

Mas com o tempo percebi que isso não é tudo. Que não garante (quase) nada, e que inclusive pode servir como um bloqueio mental e desmotivador.

Explico. Continue reading “O mito do planejamento”

Blog · Game design · Games · Opinião

Cansei de games superproduzidos

No final do ano passado eu adquiri, na promoção, o game DOOM 2016. Praticamente o “jogo do ano”. Um dos games mais aguardados do ano.

Já fazia um bom tempo que eu não jogava nada. Meses antes eu havia dispendido umas 40 horas jogando Broforce, um shoot and run 2D, estilo plataforma. De longe o melhor custo/benefício do ano. Nem R$ 15,00 me custou e tive horas e horas de jogatina.

Fui motivado no Doom pois havia jogado lá nos idos dos anos 90 o Doom 1 e Doom 2. Gostei muito de ambos. Saudosismo falou alto. E lá fui eu aproveitar o DOOM 2016 por R$ 75, ante R$ 200 de antes.

Mais de 70 GB para baixar, download terminado. E iniciei o game. Continue reading “Cansei de games superproduzidos”

Blog · Opinião · Tecnologia

Linux no Desktop deixou de fazer sentido

Anos atrás, Miguel de Icaza, velho conhecido da comunidade Linux por seus projetos (GNOME, Mono, entre outros), manifestou no seu blog pessoal porque ele largou mão do Linux Desktop em favor do MacOS X.

Entre outras questões, ele levantou a disparidade entre distribuições Linux e a falta de suporte às variadas plataformas por parte dos desenvolvedores de software.

Mas será isso basta para largar o Linux e voltar para o Windows (ou ir para o Mac)? Continue reading “Linux no Desktop deixou de fazer sentido”

Opinião · Web

A web da qual sinto falta

Sinto saudades da Web dos sites novos, dos blogs e wikis. A Web, hoje, estranhamente se reduziu a um parque de diversões em que acessamos só uns cinco sites.

Estou para escrever este post há cerca de um mês, inspirado neste texto ótimo do Gizmodo, em que o autor explicita os descaminhos que a Web tomou (se não quiser ler todo o texto comece a partir da parte “De volta para o futuro”). Continue reading “A web da qual sinto falta”