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Nassim Nicholas Taleb: Um funcionário é basicamente um “cão obediente e domesticado”

Tradução livre de artigo publicado na página do autor no LinkedIn. Também é um trecho do seu mais novo livro. Como leitor e fã dos livros de Taleb resolvi publicar essa versão em português. É um texto provocador, para refletir.

Só um adendo para não-conhecedores do autor: “pele em jogo”, largamente usada no artigo abaixo, é uma expressão que poderia ser traduzida como fazer coisas colocando o “seu” na reta, numa adaptação abrasileirada desse termo.


“Toda organização quer que um certo número de pessoas associadas a ela sejam privadas de certa parcela de sua liberdade. Como você possui essas pessoas? Primeiro, por condicionamento e manipulação psicológica; segundo, ajustando-os para ter alguma ‘pele em jogo’, forçando-os a ter algo significativo a perder se desobedecerem à autoridade. Na máfia as coisas são simples: homens mandados (ou seja, comandados) podem ser mortos se o capo suspeitar de falta de lealdade, com uma estadia transitória no porta-malas de um carro – e uma presença garantida do chefe em seus funerais. Para outras profissões, a ‘pele em jogo’ vem em formas mais sutis. Continue reading “Nassim Nicholas Taleb: Um funcionário é basicamente um “cão obediente e domesticado””

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Me engana que eu quero: fake news e nossa propensão a acreditar em mentiras

Fake news, religiões, traumas e amnésias.

Em As Aventuras de Pi nós acompanhamos toda a narrativa de um homem que perdeu a família durante uma viagem num navio quando ele era jovem.

Ele conta a história de maneira alegórica: os adultos são retratados como os animais do zoológico que estava sendo transferido. O embate entre o menino Pi e o tigre não existiu de fato. Ele adotou essa narrativa pois era um jeito de se lidar de maneira mais confortável com a dor da perda e da violência que ele assistiu. Continue reading “Me engana que eu quero: fake news e nossa propensão a acreditar em mentiras”

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O mito do brasileiro ser um povo empreendedor

O brasileiro é um povo empreendedor. Você já deve ter ouvido falar isso alguma vez em algum lugar. Empreendedorismo cresce no Brasil.

Ou lido a respeito. “O Brasil é um dos países que mais abrem empresas no mundo”, ou coisas do tipo.

A bem da verdade é que isso não é verdade. O Brasil não é um país empreendedor. Empreendedor aqui no sentido stricto sensu do termo, de se começar um negócio com uma proposta inovadora, e não simplesmente começar um negócio. Continue reading “O mito do brasileiro ser um povo empreendedor”

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A batalha pelo foco

Nunca tivemos tantas opções de trabalhos diferentes, tantas opções para se ganhar dinheiro. E no entanto nunca fomos tão dispersos…

Nunca se exigiu tantas capacidades como hoje em dia. Mas se tivesse que escolher uma como principal, seria foco.

Eu sei que isso parece “bullshitagem” de mundo corporativo. Mas não é. Odeio toda essa “bullshit” de mundo corporativo, de termos em inglês, busca por feedback, stakeholders, core business. Se você é como pode continuar a leitura do texto.

Pois bem: o que quero dizer é que hoje estamos numa constante batalha, meio que como cegos no tiroteio, por lados combatentes querendo nossa atenção. Redes sociais, blogs, aplicativos de celular com suas notificações, games, filmes e séries…

A grande dificuldade no meio disso tudo é se concentrar em uma coisa realmente importante para você e conseguir manter a atenção. É mantendo a atenção que lemos algum livro, criamos alguma coisa (um texto, artesanato, o que for), fazemos algo com produtividade e até o fim.

Atenção virou uma commoditie na era da nova economia. Todos querem a sua atenção: o Facebook, o WhatsApp, o Netflix, o Twitter, a loja Steam, os portais, os blogs. A fim de te manter neles eles fazem de tudo: notificações a toda hora, promoções irresistíveis, novidades instantâneas. Saímos do computador para ir direto para o celular. Do celular para o tablet. Do tablet para Smart TV.

A grande batalha do século 21 será a batalha pela atenção.

 

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