Blog · Brasil

Escravidão voluntária

Boa parte do subdesenvolvimento do Brasil advém da falta de capacidade do brasileiro de vislumbrar alternativas fora do Estado.

Quando o assunto gira em torno do fato do Brasil ser ferrado, vira e mexe alguém já dá a cartada: “ah, o Brasil é atrasado porque nossos políticos são ladrões”. Ou quando ocorre algum problema (ex.: desemprego) a “solução” apresentada é sempre algo do tipo: “ah, o governo tem que fazer alguma coisa”.

Blog · Brasil · Web

Batendo palmas pra maluco dançar: entre esquerdoidos e bolsominions

Eu já escrevi sobre malucos dos dias de hoje aqui no blog. E havia deixado este post em rascunho. Porém, hoje me deparei com esse texto do Rica Perrone e me senti motivado a ressuscitar este texto. Mas aqui vou tratar de um de outro tipo de doido.

O perfil de maluco que vou tratar aqui é o do political junkie. O viciado em política. O cara que fica o dia inteiro nas redes sociais compartilhando, curtindo e debatendo sobre política – geralmente para reforçar o seu ponto de vista ou então mostrar a hipocrisia e os possíveis erros e fracassos do outro lado.

Blog · Brasil · Ensaio · Negócios

O mito do brasileiro ser um povo empreendedor

O brasileiro é um povo empreendedor. Você já deve ter ouvido falar isso alguma vez em algum lugar. Empreendedorismo cresce no Brasil.

Ou lido a respeito. “O Brasil é um dos países que mais abrem empresas no mundo”, ou coisas do tipo.

A bem da verdade é que isso não é verdade. O Brasil não é um país empreendedor. Empreendedor aqui no sentido stricto sensu do termo, de se começar um negócio com uma proposta inovadora, e não simplesmente começar um negócio.

Blog · Brasil · Opinião

“E aí??? Você é de direita ou é de esquerda!?” Examinando o mito da “polarização” nas redes sociais

Ontem eu estava assistindo ao Roda Viva com Hélio de la Peña. Eu quase nem ligo mais a TV, mas descobri que iria ter a entrevista durante o comercial e, como fã do grupo Casseta, fiquei para ver a entrevista.

O programa começou com o Augusto Nunes (Veja, Jovem Pan) fazendo uma pergunta sobre como se deu a mudança de carreira de Hélio, que fazia faculdade de engenharia antes de se tornar humorista. Foi uma pergunta interessante.

Depois vieram duas perguntas, uma vinda de uma jornalista do Estadão e outra de um do Valor Econômico. Ambas giraram em torno do mesmo assunto: racismo.

Eu, que não via o pessoal do Casseta & Planeta fazia tempos, fiquei frustrado com o rumo que o programa parecia estar tomando. Parecia que ali não estava um artista com mais de 30 anos de TV, mas um militante de movimento social cujo objetivo dos jornalistas era tentar “espremer” e denunciar o tripé machismo-racismo-homofobia no mundo. Vendo que o programa se tornaria uma grande timeline de Facebook, desliguei a TV.

Blog · Brasil

A ilusão brasileira de se tornar um jogador de futebol rico

Uma das formas consagradas de ascensão social no Brasil, além de ser cantor sertanejo, ex-BBB e “modelo e atriz”, é a de ser jogador de futebol.

Antes um sonho relegado às classes mais baixas, que viam num possível futebolista a chance de sair da pobreza e também não precisar mais trabalhar, tendo o craque como arrimo de família, esse, vamos dizer assim, “sonho” passou também a estar presente nas famílias de classe média, tradicionalmente mais identificadas com um sonho de emprego no mundo corporativo (que traria, junto ao dinheiro, um suposto “status”).

Entendo que essa aceitação da ideia de ter um filho jogador de futebol na classe média se deu a partir do surgimento de nomes como Kaká, vindo de família bem-estabelecida (o pai sendo engenheiro civil) e pelas cifras envolvendo o mundo da bola, cada vez mais crescentes. Ser jogador deixou de ser vista tão-somente como uma profissão para pessoas tidas como desqualificadas, vindas de famílias desestruturadas e que viam na bola um prato de comida. O boleiro virou atleta.

Mas meu ponto aqui não é fazer sociologia de botequim mas sim me ater aos fatos. Quero discorrer um pouco sobre essa ilusão que muitos acham que é fácil se tornar um jogador bem-sucedido, que ganhará milhões de euros e terá vários carros na garagem.

Brasil · Web

A internet tá chata

Você vai à caça de notícias ou de um blog bacana. E logo pipocam as caixas pedindo para enviar notificações. Não, não e não. Ou então um paywall: assine nosso jornal, só R$ 1,99 por mês, jornalismo de qualidade. Clica no X para fechar.

Quando não, um popup com propaganda de carro. Ou um box de assinatura de newsletter. Coloque o seu e-mail e receba novidades e promoções.

Trocentos banners de propaganda enquanto se rola o texto. É preciso: O AdSense paga pouco. Volume é necessário.

Brasil · Web

A lama e a fama: a diferença é muito mais que uma letra

Eu estava passeando pelo Youtube – atualmente estou com muito tempo livre e não sei o quanto isso é bom ou ruim -, e me deparei com um canal de um jovem, na faixa dos 20 anos, que, além de se expressar usando gírias e ter uma aparência um tanto exótica, tem como proposta topar desafios nos seus vídeos.

Um dos “desafios” consistia em deixar o pé para ter ele atropelado por uma roda de carro em movimento. É isso mesmo: a proposta é ter o pé atropelado por um carro, filmar e jogar no Youtube. Tudo para quê? Ora, para obter milhões de visualizações com o choque da imagem e faturar dinheiro com os anúncios, claro.

(Nessas ocasiões eu fico imaginando se o Tim Berners-Lee, o criador da Web, não se arrependeu da sua invenção.)

Blog · Brasil

O Estado-sol brasileiro

Em outubro último entrou em vigor no Brasil o horário de verão, como entra anualmente. Com a medida que manipula os nossos relógios o governo pretende economizar alguns milhões – em 2017 ele conseguiu R$ 162 milhões com a medida.

R$ 162 milhões equivalem a quase 3 Geddéis. Ou 290 Dilmas a menos se metendo no sistema energético. Ou quase um juiz Lalau, ou um mensalão.

Para economizar esses R$ 162 milhões, o governo se arroga o direito de manipular o tempo, ignorando todas as consequências: mudar os relógios assim altera o ritmo circadiano do nosso corpo. Foi constatado nos EUA que, logo no início do horário de verão, essa falta de adaptação gera um aumento nos casos de acidentes automobilísticos de até 17%.