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“E aí??? Você é de direita ou é de esquerda!?” Examinando o mito da “polarização” nas redes sociais

Ontem eu estava assistindo ao Roda Viva com Hélio de la Peña. Eu quase nem ligo mais a TV, mas descobri que iria ter a entrevista durante o comercial e, como fã do grupo Casseta, fiquei para ver a entrevista.

O programa começou com o Augusto Nunes (Veja, Jovem Pan) fazendo uma pergunta sobre como se deu a mudança de carreira de Hélio, que fazia faculdade de engenharia antes de se tornar humorista. Foi uma pergunta interessante.

Depois vieram duas perguntas, uma vinda de uma jornalista do Estadão e outra de um do Valor Econômico. Ambas giraram em torno do mesmo assunto: racismo.

Eu, que não via o pessoal do Casseta & Planeta fazia tempos, fiquei frustrado com o rumo que o programa parecia estar tomando. Parecia que ali não estava um artista com mais de 30 anos de TV, mas um militante de movimento social cujo objetivo dos jornalistas era tentar “espremer” e denunciar o tripé machismo-racismo-homofobia no mundo. Vendo que o programa se tornaria uma grande timeline de Facebook, desliguei a TV.

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Caixas de comentários

Caixas de comentários. Elas surgiram com os blogs, e hoje estão espalhadas por toda a internet. O motor que fez o Facebook crescer foi a caixa de comentários, disponível em todo o post na rede e que alimenta discussões que fazem o povo voltar e voltar, gerando visitas para a rede social.

Hoje a seção mais movimentada é a caixa de comentários. As pessoas vão à ela sem mesmo ler a notícia. O importante é opinar…

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Visionários de pés-de-barro…

Você já viu um visionário de pés-de-barro? É aquele sujeito que tem ótimas ideias, mas que na hora de executar ele perde o ânimo e desiste. Ou está toda hora mudando de planos, porque, tendo uma ideia, ele se cansa de pensar nela, de tanto remoer, e larga mão partindo para outra e outra ideia assim sucessivamente.

Com pés-de-barro faço alusão ao gigante de pés de barro, aquela lenda bíblica de que Nabucodonosor teria sonhado com um gigante com cabeça de ouro, mas devido aos pés feitos de argila ele logo se desmanchou.

Eu já me deparei com um sujeito que tinha ambições muito maiores do que si próprio. Foi numa iniciante agência digital pela qual passei, três anos atrás.

Blog

Da importância de se manter um diário

Estou lendo, no presente momento em que escrevo, o ótimo “O Ego É Seu Inimigo. Como Dominar Seu Pior Adversário“, de Ryan Holiday. Ao contrário do que se pode pensar, não se trata de um livro de autoajuda simples e banal; o autor se preza de abusar de referências históricas e de filósofos (principalmente estoicos) para defender o seu ponto de vista.

Cada capítulo é interessante e tem a mesma fórmula. O autor começa com uma história da vida real (de sucesso ou fracasso) e desenvolve a influência do ego na situação. Quero evitar spoilers, não só para evitar estragar a sua leitura (que recomendo fortemente), mas também para não fugir do foco deste post, que é outro: a importância de se escrever para se desenvolver as ideias e de se lutar contra o próprio ego.

Num dos capítulos Holiday discorre sobre um oficial do Exército americano da época da Guerra Civil que, independentemente do brilhantismo da sua estratégia militar, praticamente passou para a história como um desconhecido.

Em vez de correr atrás de méritos, prêmios e reconhecimento, ele conteve o ego e dedicou-se exclusivamente ao seu trabalho – que desempenho com incontestável sucesso.

O engraçado que, correndo na leitura, identifiquei como o ego me ludibriou e me fez tropeçar.

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A ilusão brasileira de se tornar um jogador de futebol rico

Uma das formas consagradas de ascensão social no Brasil, além de ser cantor sertanejo, ex-BBB e “modelo e atriz”, é a de ser jogador de futebol.

Antes um sonho relegado às classes mais baixas, que viam num possível futebolista a chance de sair da pobreza e também não precisar mais trabalhar, tendo o craque como arrimo de família, esse, vamos dizer assim, “sonho” passou também a estar presente nas famílias de classe média, tradicionalmente mais identificadas com um sonho de emprego no mundo corporativo (que traria, junto ao dinheiro, um suposto “status”).

Entendo que essa aceitação da ideia de ter um filho jogador de futebol na classe média se deu a partir do surgimento de nomes como Kaká, vindo de família bem-estabelecida (o pai sendo engenheiro civil) e pelas cifras envolvendo o mundo da bola, cada vez mais crescentes. Ser jogador deixou de ser vista tão-somente como uma profissão para pessoas tidas como desqualificadas, vindas de famílias desestruturadas e que viam na bola um prato de comida. O boleiro virou atleta.

Mas meu ponto aqui não é fazer sociologia de botequim mas sim me ater aos fatos. Quero discorrer um pouco sobre essa ilusão que muitos acham que é fácil se tornar um jogador bem-sucedido, que ganhará milhões de euros e terá vários carros na garagem.