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Caçando Moby Dick

Sobre obsessões por coisas que já não têm mais importância.


No romance Moby Dick é contada a história de fúria vingativa do Capitão Ahab, que se lança aos mares em busca da baleia Moby Dick. Em nome do próprio ego, vai atrás de um animal já indiferente a sua existência.

Essa história é analisada muitas vezes sobre o viés de como a natureza pode ser cruel – e ela o é, apesar da visão edênica que muitas vezes temos dela. No entanto, o tópico principal é a visão de como a ambição humana pode ir longe, chegando às raias da loucura.

Como lembrado pelo escritor Ryan Holiday em O Ego é o seu Inimigosaímos à caça de uma Moby Dick que já não tem mais importância.

Não seria mais fácil esquecer, se reinventar? Como o conselho dado por um fictício Larry Summers aos irmãos Winklevoss, depois da rasteira dada por Mark Zuckerberg: “Esqueçam isso. Partam para outra. Façam novos projetos”. Afinal, águas passadas não movem moinhos…

Desembarcando do Pequod

Durante muito tempo fiquei fissurado na ideia de ser um game developer indie. Por causa disso entendo que fui muito levado ao engano. Tomei atitudes erradas, precipitadas. E o pior é que, mesmo deixando de lado a ideia, tempos depois o desejo retornava. Como uma herpes que se aproveita da baixa imunidade.

Quando caia num vazio, lá vamos nós instalar a game engine, comprar assets e começar algum projeto. Sem eira nem beira, só lembro de ter finalizado um, anos atrás, e ter chegado perto de lançar um para mobile.

Outra obsessão minha durante muito tempo foram as discussões em redes sociais, principalmente sobre política. Incontáveis horas perdidas, momentos sem concentração e falta de foco. Horas e horas de leituras. Posts e posts para refutar e defender opiniões. Amizades desfeitas. Perdia muito tempo mesmo em discussões que, no fundo, tinham pouca importância para a vida que eu desejava. Redes sociais criam debates, e quando você entra em um você não quer perder.

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Essa obsessão entendo que consegui deixar de lado, finalmente, ao deixar o Facebook em junho último. Não tive recaídas desde então. Lá se vão cinco meses. Libertador não ficar escravo de notificações.

Já a de games, não. Talvez porque veja nessa atividade um caminho para se levar uma vida mais criativa, o que é bem mais edificante do que se perder em debates facebookianos.

No final das contas, obsessões não passam de tigres de papel, que nos impactam mais pelo que acreditamos ser do que são na realidade. E que só terão o peso que dermos à elas.

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