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Batendo palmas pra maluco dançar: entre esquerdoidos e bolsominions

Batendo palmas pra maluco dançar: entre esquerdoidos e bolsominions

Eu já escrevi sobre malucos dos dias de hoje aqui no blog. E havia deixado este post em rascunho. Porém, hoje me deparei com esse texto do Rica Perrone e me senti motivado a ressuscitar este texto. Mas aqui vou tratar de um de outro tipo de doido.

O perfil de maluco que vou tratar aqui é o do political junkie. O viciado em política. O cara que fica o dia inteiro nas redes sociais compartilhando, curtindo e debatendo sobre política – geralmente para reforçar o seu ponto de vista ou então mostrar a hipocrisia e os possíveis erros e fracassos do outro lado.

Tudo vira política…

Vou me ater aqui a dois tipos: os bolsominions e os esquerdoidos (ou esquerdopatas, esquerdóides…) 

O bolsominion é o tipo mais recente. É o cara que tem uma paixão desmesurada pelo político Jair Bolsonaro e, como se poderia dizer?, seu “ideário”.

Ele escreve em caixa alta, repete meia dúzia de slogans e lugares-comuns que ele aprendeu na internet (ele não lê livros). Ele não pode ver uma caixa de comentários de portal, com alguma notícia envolvendo crimes ou política, que já escreve #BOLSONARO2018, quase sempre dando vazão à obsessões, como “bandido bom é bandido morto”, “direitos humanos para humanos direitos”, entre outros cânones da filosofia de sarjeta.

Extremamente nacionalista, ele aprendeu com o “mito” (ênfase nas aspas) que o nióbio e o grafeno salvarão o Brasil. O mínimo de discordância com um deles e você já é tachado, de “socialista fabiano” para baixo (sem ele saber direito o que significa o tal socialismo fabiano, mas como ele viu na internet então tá valendo).

A figura do bolsominion surge com a maior penetração da internet na sociedade. As classes mais baixas e com menos formação da sociedade “queimaram etapas” e foram direto para a internet antes de passar pelos bancos escolares e livros – como defendeu uma vez uma professora de sociologia minha da faculdade. Daí os argumentos rasos.

Eu tenho razão e você não...O outro tipo que trato aqui é o esquerdoido. É o cara que, ao contrário do bolsominion, ele até chegou à faculdade (tem até pós-graduação, muitas vezes). Mas nem por isso significa que ele tenha muita superioridade intelectual diante do seu correspondente bolsominion.

O esquerdoido geralmente recorre à três tipos de falácias em suas, cof cof, “argumentações”. Um deles é a falácia do espantalho.

Esse tipo de falácia consiste em você montar um espantalho e bater nele como se tratasse do objeto real. Um exemplo fácil é quando você vê eles falando mal de um tal “neoliberalismo”. Neoliberalismo ninguém sabe o que é direito, se é que existe (porém, existe liberalismo), mas eles criam esse espantalho e “batem” nele a todo tempo, empolados e com empulhação.

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Outra falácia é o argumentum ad hominem. Simplesmente ataca-se a pessoa em vez do argumento. Quem já viu alguma discussão acabar numa comparação à Hitler já entendeu do que se trata.

E por último temos a falsa equivalência. É a comparação canhestra entre dois tipos que não tem correlação equânime. O link no início do post para o artigo do Rica Perrone ilustra a coisa toda.

O esquerdoido fanático é o rei das hashtags e slogans (os bolsominions ainda estão aprendendo com eles). É #13confirma, quando não #50confirma. #MariellePresente, #LulaPeloBrasil e por aí vai… Sempre em luta por um mundo melhor e combatendo uma direita que geralmente só existe na cabeça dele.


Batendo palmas para maluco dançar…

Bem, navegar na internet, nos blogs e redes sociais hoje em dia invariavelmente envolve se deparar com esses tipos. Existem mais, claro: o liberteen fanático, o “isentão”…

Falando em isentões, antes de mais nada gostaria de dizer que não sou um. Sou o que se poderia chamar de “conservador liberal” (mais ou menos como um liberal-conservative, como diria o Pondé). Com isso quero dizer que antes de defender paixões eu prefiro, sempre, a verdade e a Razão. O ponto de vista conservador é mais de se colocar como uma corrente filosófica do que uma ideologia política.

Eu não tenho mais me dedicado a participar de debates sobre política nas redes sociais já faz um bom tempo. Limpei meu Facebook desses assuntos há um tempinho atrás.

Hoje me dedico mais a ler do que a escrever. É o melhor. Saí da Matrix esquerdista há alguns anos, e confesso que o movimento renovador que pude acompanhar bem de perto nos últimos anos e apelidado de “Nova Direita” tem ficado cada vez mais autoritário, egoísta e fechado em si mesmo em muitos aspectos – a despeito de ter bem mais bibliografia, em comparação aos bolsominions e esquerdopatas.

Nos próximos meses teremos eleições para presidente e o mais provável é que vejamos novamente todo aquele circo que vimos anos atrás – de muita desinformação, xingamentos, amizades desfeitas e etc.

Com esse texto eu tento me antecipar e oferecer ao leitor tentado a entrar na arena um “chá de camomila”. Contenha-se. Não vai valer a pena.

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