The Beat, a maior banda que existiu e que você nunca ouviu falar

Conheci a banda The Beat (ou “The English Beat”, na América) graças àquele sistema de recomendações do YouTube. Estava ouvindo The Specials (outra grande banda de Two Tone, o movimento surgido em fins dos anos 70 que mesclava ska com punk) quando, terminado o vídeo, o site me recomendou ouvir I Just Can’t Stop It, o primeiro disco dessa genial banda britânica.

Eu nem fazia ideia, mas ouviria aquele disco pelo restante do ano. Do primeiro álbum (completo no vídeo abaixo) destaco “Mirror in the Bathroom”, “Hands Off…She’s Mine”, “Rough Rider” e “Best Friend”, dentre outras.

O The Beat se formou num período de recessão e desemprego no Reino Unido. O que mais me chama atenção é a criatividade da banda. Eles não misturam gêneros só para misturar, mas por talento e ambição que caracterizam a arte de verdade.

O segundo álbum, Wha’ppen?, é o meu favorito e para mim o melhor. Nele se faz presente uma presença mais forte de elementos de reggae em detrimento do ska e do punk. Desse álbum (abaixo) destaco o lovers rock “Doors of Your Heart”, o ska “All Out to Get You”, o reggae “Monkey Murders” e a acelerada “I Am Your Flag” (estas duas últimas as minhas favoritas) e a deprê “Drowning”.

Os dois primeiros álbuns da banda estiveram presentes nas listas de “álbuns do ano” da NME nos seus respectivos anos e conseguiram aclamação até do crítico ranzinza Robert Christgau.

O terceiro e último álbum da banda é o Special Beat Service. Para mim, o mais chato da banda. Marca um retorno ao ska, com alguma levada mais pop. Este álbum completo não se encontra disponível no YouTube, mas você pode encontrar as músicas avulsas.

Um pouco mais sobre o The Beat

A banda original existiu de 1978 a 1983. Dave Wakeling, integrante da banda, explicou que toda grande banda só grava três grandes álbuns. Wakeling depois formaria a banda new wave General Public com o também ex-integrante Ranking Roger, que gravaria a meiguinha “Tenderness“. Outros dois ex-membros, Andy CoxDavid Steele formariam o Fine Young Cannibals, bem mais famoso por aqui, dos hits “She Drives Me Crazy” e “Good Thing“. Mas aí já é outra história.

Eu fui usuário do Spotify por dois anos e no início de 2017 eu mudei para o Deezer, pois neste havia a discografia completa da banda e no Spotify não – pelo menos até aquela ocasião; hoje eu não sei.

Mesmo com tanta coisa ruim, ainda dá para salvar 2017. Escrevo esse post como uma homenagem à essa banda que animou (e continua animando) vários dos meus dias desde então, e pelo fato de ela ser praticamente desconhecida no Brasil (nem artigo na Wikipédia brasileira a banda tem, no momento em que escrevo aqui). Daí resolvi espalhar a palavra – ou melhor, o som. Para quem gosta de um reggae, ou mesmo de um punk, acho que vale a “ouvida”. Se gostou, compartilhe. 🙂