Quando comecei a programar? Lembro como se fosse ontem. Dezesseis anos de idade (ou quatorze anos atrás…), segundo ano do curso técnico em processamento de dados.

Eu tinha tido lógica de programação no primeiro ano do colegial. E começaria a ver programação na prática no segundo ano (usando Pascal), porém naquelas férias de 2002/2003 eu ainda não sabia. Estava curioso demais para começar.

Daí, na curiosidade, já de férias no final de 2002, fui para o centro de São Paulo, de carona, ajudar o meu pai em um serviço da associação em que ele trabalhava. Ele precisava trazer brinquedos que seriam comprados na Rua 25 de março a fim de ser distribuídos gratuitamente para crianças carentes do bairro. E eu aproveitei para passar na Rua Santa Ifigênia, próxima dali, e reduto da informática na cidade.

Se hoje a Santa Ifigênia já parece uma bagunça imagine 15 anos atrás, com camelôs no meio da rua vendendo CDs aos montes e a iminência do “rapa” da polícia a todo momento. Todo tímido, paramos num rapaz que vendia CD-ROMs de tudo que era tipo: games, softwares, programas gráficos. Daí perguntei para ele se ele tinha o Visual Basic. Ele disse que não era assim, era preciso comprar o famigerado Visual Studio (naquela época, o 6.0) e ele viria junto (juntamente com o Visual C++, FoxPro etc.) Uns R$ 15 e comprei o VS 6.0, mais o AutoCAD 2000.

Visual Basic 6.0

Visual Basic 6.0 (Fonte: Wikipedia)

Meu interesse pelo Visual Basic veio de um livro que encontrei na biblioteca da escola, numa aula vaga. Lembro-me do nome do livro até hoje: “Visual Basic 6 para Leigos Passo a Passo” (e, sim, ainda está disponível para venda por aí). Me pareceu fácil e eu não tinha muito a ideia por onde começar a estudar programação. VB me pareceu fácil, uma sintaxe relativamente simples, e no Visual Studio bastaria arrastar e soltar os elementos numa janela que, pronto, lá estaria o programa visualmente falando.

Pois bem, software comprado e instalado no PC Itautec Celeron 2GHz (lento para danar), só me restava o material de estudo.

Então comecei a buscar nas lojas virtuais da época onde comprar o famigerado livro que vi na biblioteca da escola (a escola emprestava o livro apenas para os estudantes da faculdade.) Fui no Submarino e encontrei ele à venda. Imprimi o boleto, saiu em tinta verde porque não tinha tinta preta no cartucho e pedi para pagarem, pois eu nem sabia como pagar aquilo (!).

Chegando o livro lá fomos nós. Empolgado! Ficava encostado na cama lendo o dito-cujo para depois sentar na máquina e reproduzir. Eu estava lá e era lindo! Você colocava alguns elementos (botões, labels, textboxes), adicionava eventos via códigos Visual Basic e rodava – lá estava o programa funcionando!

Tudo muito simples, mas para um iniciante, era o que havia. Clica no botão, aparece a mensagem “Olá mundo!” em um MsgBox. Coisas do tipo.

Começando o segundo ano do colegial, lá viriam as aulas introdutórias de programação na prática. Usávamos Turbo Pascal, e no terceiro ano teríamos Borland Delphi (2004).

Em 2005 estava saturado da informática. No colégio tínhamos mais de uma dúzia de matérias por vez. Muitas provas, muitos trabalhos… E eu estava de saco cheio de estudar. Queria uma profissão em pudesse exercitar a criatividade e fui para a publicidade.

Logo oficial da linguagem Python

Logo oficial da linguagem Python (Fonte: https://www.python.org/community/logos/)

Voltei a mexer com programação em fins de 2007. Conheci Python. Em 2008 botei um blog usando Django. E voltei a programar, mas com foco em Web. Atribuo ao Python minha volta à programação. Com essa linguagem programar parecia divertido. Os códigos ficavam bonitos, tudo era fácil de se aprender e de se fazer… Daí estou nessa até hoje. E passei pelo PHP, WordPress, ActionScript com Flash, Magento, .NET, Xamarin e Ionic…


Depois de tudo isso, o que penso sobre programar:

Nunca imaginei, quando moleque, que passaria boa parte da minha vida com a cara enfiada num monitor, lidando com códigos. Já avaliei sair da área várias e várias vezes. Me dedicar a um trabalho que envolva mais criatividade, que fosse mais variado, que envolvesse um maior contato com pessoas… Tudo no lugar de passar 8 horas por dia na frente de um computador se debruçando sobre bugs e funcionalidades dentro de um prazo.

É verdade que programar não é só a parte chata de se trabalhar com TI, ter que lidar com códigos cagados de outrem, bugs incompreensíveis e a sensação de se estar obsoleto todo o tempo. Se você realmente for um apaixonado por programação provavelmente irá se dedicar às suas horas vagas aos seus projetos particulares.

No fundo, à despeito de qualquer desgosto que eu tenha tido, penso que programar não deixa de ser uma atividade criativa também. Ou pelo menos, deve ser encarada dessa forma: um jeito de se criar coisas novas que podem ser usadas. E ser vista assim principalmente por quem está começando, como fez aquele  menino de dezesseis anos do litoral de São Paulo que acabou de instalar uma IDE no seu computador e vai começar a jogar alguns programas na tela.