O Estado-Sol

Em outubro último entrou em vigor no Brasil o horário de verão, como entra anualmente. Com a medida que manipula os nossos relógios o governo pretende economizar alguns milhões – em 2017 ele conseguiu R$ 162 milhões com a medida.

R$ 162 milhões equivalem a quase 3 Geddéis. Ou 290 Dilmas a menos se metendo no sistema energético. Ou quase um juiz Lalau, ou um mensalão.

Para economizar esses R$ 162 milhões, o governo se arroga o direito de manipular o tempo, ignorando todas as consequências: mudar os relógios assim altera o ritmo circadiano do nosso corpo. Foi constatado nos EUA que, logo no início do horário de verão, essa falta de adaptação gera um aumento nos casos de acidentes automobilísticos de até 17%.

Ou seja, o Estado brasileiro, em vez de se emendar, simplesmente joga a conta de suas irresponsabilidades para nós. É o Estado ao contrário: em vez de nos servir, nós é que devemos servir a ele.

Essa aura em torno do Estado brasileiro vem de longe; tem pelo menos 200 anos. Foi quando a corte portuguesa chegou ao Brasil trazendo toda a sua burocracia, que logo chegando a essas terras já tratou de se impor.

Desde então a coisa só piorou, como, por exemplo, a elite que vivia da agricultura à base de mão escrava se arvorou na burocracia, vendo que o fim da escravidão a levaria à ruína. Encastelados lá, tivemos a sua ascensão meteórica, que hoje ainda é tida como uma classe diferenciada, com suas aposentadorias integrais, leis próprias (como a de proibir o desacato) e, claro, estabilidade quase eterna no cargo, haja vista que ser demitido como funcionário público é quase impossível. (Já ouviu falar? Nem eu.)


Quando os políticos brasileiros não estão aprontando na via direta, eles aprontam na via indireta. Superfaturação de obras via impressão de dinheiro – ou seja, inflação. Desconto no salário de todo trabalhador “para o bem dele”, sendo que o dinheiro é devolvido depois sem reajuste da inflação – ou seja, menos do que valia na hora do desconto -, o famigerado FGTS.

Se não bastasse tudo isso, começou a sair na mídia recentemente que sites do governo estão usando os computadores dos usuários para minerar bitcoins. É assim: usa-se um script em JavaScript, linguagem comum usada na programação de sites, e quando o usuário acesso o site é roubado o processamento da sua máquina para se minerar bitcoins. O uso de processador do usuário vai às alturas. O primeiro site de um órgão público a ser descoberto na brincadeira foi o portal Cidadão.SP, do goveno de São Paulo.

O Estado brasileiro é como um sol. Temos que girar em torno dele devido à sua força gravitacional (ou intervencionista, no caso). E o pior de tudo é que ainda persiste no brasileiro uma mentalidade atrasada, voltada ao estatismo, que é intervencionista e que ajuda a perpetuar tudo isso.

Afinal, não existe rei sem súditos.