Pinguim do Linux

Anos atrás, Miguel de Icaza, velho conhecido da comunidade Linux por seus projetos (GNOME, Mono, entre outros), manifestou no seu blog pessoal porque ele largou mão do Linux Desktop em favor do MacOS X.

Entre outras questões, ele levantou a disparidade entre distribuições Linux e a falta de suporte às variadas plataformas por parte dos desenvolvedores de software.

Mas será isso basta para largar o Linux e voltar para o Windows (ou ir para o Mac)?

Confesso que fui um entusiasta do Linux no Desktop. Já usei ele no trabalho e em casa (ainda uso, é verdade, porém como segunda opção no boot.) E confesso que entendo o ponto de vista de Icaza. Mesmo embora seja ótimo um sistema operacional seguro, que não requer antivírus, e de bom desempenho e usabilidade, a falta de diversidade de programas e a íngreme curva de aprendizado para novatos persistiram como barreira para a maior difusão do sistema do pinguim.

Começar no Linux é complicado se você não for alguém com conhecimentos relativamente bons em informática. O fato de eu trabalhar como desenvolvedor me ajudou a aprender o Linux.

Pacote Adobe?

Mas mesmo como desenvolvedor eu tinha problemas: a falta de programas da Adobe, como o Photoshop, tão essenciais para se trabalhar com frontend, haja vista que em agências digitais o pacote da Adobe é  mandatário. Eu revertia isso virtualizando um máquina Windows no VirtualBox. Porém, como eu não tinha uma boa máquina, a virtualização e o trabalho não fluíam como se fosse usando uma máquina Windows nativamente.

Screenshot do Linux Mint 18.2 - Cinnamon

Screenshot do Linux Mint 18.2 – Cinnamon

Numa agência em que trabalhei o uso do Linux era praticamente essencial. Todos as máquinas da equipe de desenvolvimento utilizavam. Mas havia queixas com o Ubuntu: ele estava muito instável, quase que se tornando uma espécie de Windows, com atualizações a toda hora que corriam o risco de “quebrar” o sistema. Daí a predileção pelo Linux Mint, uma distro menos “temperamental”. Mas abrir arquivos PSD, nada de Photoshop: tínhamos que recorrer ao Avocode. Que, lógico, não é a mesma coisa.

Além disso tudo, com o tempo cada vez mais precisei ir ao Windows para fazer as coisas. Desenvolvimento de Games com Unity; mobile com Xamarin. Quando quero tirar proveito de um servidor Linux para webdev levanto um VM como Vagrant.

Eu confesso que até pensei em instalar o Linux Mint no meu notebook, na ideia de que ele fosse poupar energia da bateria e ganhar mais autonomia. Mas nem nesse campo ele se destaca mais: o Ubuntu perde nesse quesito mesmo comparado ao Windows 7.

Minha vida com Windows 10

E, por fim, também não tenho sentido grandes problemas para se usar o Windows 10. Gostei dessa última versão, acho que ela combina o melhor do Windows 7 com performance e bom gosto visual. Com programinhas de terceiros eu consegui alterar o Explorador de Arquivos do Windows para ele suportar a navegação por abas – como tem no Ubuntu/Linux Mint. Não tenho sentido dificuldades no dia a dia, tanto para trabalhar como para uso comum.

Gostaria muito que a o Linux desktop um dia voltasse a ser competitivo e interessante. Mas, como tantos outros, não vislumbro mais esse dia.