Cansei de games superproduzidos

No final do ano passado eu adquiri, na promoção, o game DOOM 2016. Praticamente o “jogo do ano”. Um dos games mais aguardados do ano.

Já fazia um bom tempo que eu não jogava nada. Meses antes eu havia dispendido umas 40 horas jogando Broforce, um shoot and run 2D, estilo plataforma. De longe o melhor custo/benefício do ano. Nem R$ 15,00 me custou e tive horas e horas de jogatina.

Fui motivado no Doom pois havia jogado lá nos idos dos anos 90 o Doom 1 e Doom 2. Gostei muito de ambos. Saudosismo falou alto. E lá fui eu aproveitar o DOOM 2016 por R$ 75, ante R$ 200 de antes.

Mais de 70 GB para baixar, download terminado. E iniciei o game.

Jogando o “jogo do ano”

Joguei. Joguei… Joguei mais um pouco.

Passou meia hora, nem isso, e fechei o jogo. Não sei porquê, mas o jogo não me desceu.

Meses depois voltaria à ele. Daí consegui jogar mais umas duas ou três horas. E não joguei mais.

Não sei, talvez o problema seja comigo, meus trinta anos de idade, falta de paciência para ficar desvendando labirintos e recomeçando tudo de novo após perder. O problema, pensei, não era o jogo: ele é todo bem feito, gráficos excelentes, dinâmica e sons ótimos.

Mas não consegui continuar. Achei chato.


20XX is more fun than you

Tempos depois me deparo com um lançamento na Steam. Era o 20XX. É um shoot and run também, mas que relembra os games da série Mega Man, difícil que só o capeta. Preço promocional, arrematei. Melhor investimento! Viciante.

Já coleciono mais de 50 horas jogadas nele. Fechei o jogo umas duas vezes. Volto a ele para jogar os “desafios”.

Por que jogo esses games simples e não consigo jogar esses Triple A?!


Ousadia & Alegria

O que me atrai muito nos jogos indies – e aqui vai uma visão pessoal exclusiva minha -, é de que eles são objetivos. Você inicia o jogo e começa a ação. Nada de filminhos 3D e configurações complicadas.

Sério. Não tenho mais paciência para isso. Quando quero jogar um game estou pensando em jogar, e não em vivenciar um filme!

Os games, tanto no aspecto de dinâmica, imagem e sons, estão cada vez mais tentando parecer filmes. E isso me incomoda. Talvez não seja à toda que todos jogos mais superproduzidos os únicos que consigo ter mais saco para jogar são os de futebol e de corrida, onde o realismo realmente faz a diferença.

Screenshot do game Braid.

Screenshot do game Braid.

Quando comprei meu PC gamer há dois anos eu não estava pensando em jogar games exigentes. Meu foco era estudo e desenvolvimento de games. No ano anterior eu já tinha ficado fascinado por coisas como Braid.

Jogos indie têm dois aspectos que me atrai: simplicidade, a objetividade que eu mencionei, e a criatividade, que nem sempre é regra, mas é algo muito encontrado nesse movimento.

Jogar Broforce e 20XX só me exige meia dúzia de botões do joystick. Nada de comandos complicados. Evoluir no jogo, por mais difícil que possa ser, é divertido.

Não sei se estou sendo chato. Além do mais minhas críticas não são de hoje. Mas não vejo sentido em ficar jogando eternamente jogos de tiro em primeira pessoa, saindo de um e indo para o outro, poucas horas após cansar.

É por isso que fica aqui meu manifesto. Vida longa aos games indie!