A era do ruído

Os tempos da internet trouxeram muita informação. Mas com ela também muito ruído. Fake news, boatos, conteúdos sem relevância inundando nossas timelines… Como se achar no meio de tanta desinformação?

Antigamente eu era um grande fã da Wikipédia. Com o tempo, porém, a medida que voltei a me relacionar com o livros percebi que a Wikipédia quase não me servia mais…

O grande problema da Wikipédia, a meu ver, é a sua falta de curadoria – por parte dos editores e dos autores. Corriqueiramente esbarro com textos enviesados, mas, pior que isso, é a mutilação feita nos textos. Imagine a situação: você capricha num parágrafo num artigo lá, e logo vem outro autor e, no meio dele, insere uma frase contraditória, tirando a linearidade do seu texto. Ruim de ser ler. A quantidade de artigos é enorme, o que requereria uma revisão profissional – o que quase não é feita, pois a “enciclopédia livre” é movida à base de solidariedade.

Só usei a Wikipédia como ilustração para um problema bem maior e mais genérico existente na Web: a prevalência do ruído sobre o sinal.

Hoje o desafio não seja produzir conteúdo. Fazer jornalismo hoje nunca foi tão fácil. Dados, gráficos e estatísticas estão jogados pela Web, de maneira gratuita. A dificuldade hoje está mais no lado de se destacar e de se financiar.

Tirar dinheiro via AdSense é complicado – é preciso uma quantidade enorme de acessos para se fazer alguma grana. Daí a desgraça das fake news: boatos e sensacionalismo geram muito mais acessos. Realmente é de se notar que as pessoas não parecem estar na internet com fins de aperfeiçoamento cultural… Para isso ainda contamos com a força do livro – que, graças a deus, nunca foi tão fácil de se adquirir, via Amazon e Kindle. Mas será que o propósito da internet não foi desvirtuado? Pois, ao ser construída pelas massas, ela acabou ficando à sua imagem e semelhança?

 

Don’t be rude! You’re fake news!

Isso para não falarmos da inundação de memes, pornografia, fotos sensuais como destaque de matérias numa estratégia de clickbaiting, e por aí vai. O incentivo da qualidade frente à qualidade é incentivado, a fim de se gerar mais acessos. Puro ruído.

Eu entendo que a internet continuará assim, restando às pessoas interessadas em conteúdo mais relevante criar ou manter sites/blogs independentes, que terão um conteúdo baixo de acessos se comparados aos BuzzFeeds da vida e que serão mantidos via doações de entusiastas (graças a serviços como o Patreon e o Apoia.se). O modelo de publicidade financiando a web de qualidade grátis acabou.

Não sei quanto ao leitor desse texto, mas eu tenho usado o computador cada vez mais para jogar games, comprar livros e trabalhar, e menos para ficar em redes sociais e afins. Meu Twitter eu removi há quatro anos; Instagram praticamente não uso e Facebook vivo desativando. Estou praticamente preso há duas ou três páginas/sites na internet que, devido ao tempo de convivência, já desenvolvi alguma confiança, a ponto de colaborar com doações para ajudar a mantê-las: site Senso Incomum e página do Alexandre Borges. E só. Sim, eu sei: há inúmeros e inúmeros sites por aí, mas tenho cada vez menos paciência para pedantismo, pouco conhecimento de muitos autores. Como diria o grande Flávio Morgenstern: leiam mais livros, deem menos opiniões.

Este blog mesmo ficou mais de três anos sem atualizações – de junho de 2014 a agosto de 2017, devido à minha falta de fé nisso aqui (vá lá, desinteresse em escrever mesmo). Voltei a usá-lo a fim de dar uma desenferrujada na escrita, para um outro projeto maior.

Agora com licença, que vou desligar o computador.