Revistas

revista-heroiDe uns tempos para cá venho tentando recordar o que me fez escolher algumas coisas na minha vida. Como, por exemplo, gostos que tenho e a profissão que escolhi.

Para quem não sabe, na época do vestibular prestei para design. A minha intenção era trabalhar como designer gráfico, diagramador, ou coisa similar. Algo que envolvesse duas paixões: tecnologia e criatividade. Eu estava terminando o curso de técnico em informática e estava aborrecido. E achava que ficaria ainda mais aborrecido de estudar computação e passar o resto da minha vida trabalhando em TI, “sem vida”, ficar 20 horas por dia num escritório em São Paulo, etc. Sim, eu sei, você vai dizer, “ah mas hoje essas profissões pagam bem e dão status”, “ah é onde tem campo”, tá, ok, mas quando se tem 17 anos e você mora no interior longe de tudo você não pensa muito nisso – pelo menos no meu caso.

Além do mais, foi muito motivado pelas outras pessoas. Eu era elogiado pelos textos que escrevia e pelas caricaturas que desenhava… enfim. Diziam-me que eu levava jeito pela coisa, e era algo que gostava. E gosto.

Sempre tive revistas em casa. A primeirona foi a revista “Herói”, que começamos a comprar no embalo do desenho animado Cavaleiros do Zodíaco. Meu vizinho colecionava. A Herói foi uma das revistas mais bacanas que li (junto com a Superinteressante). Era a Web antes da Web: tudo que era “cool” e da cultura pop estava lá, para moleques. Era tudo feito de maneira criativa, do design às ilustrações. Era uma viagem pelo pop, vamos dizer assim. Lembro que tentava desenhar os Cavaleiros, copiando as ilustrações com papel em cima e lápis. Meu sonho era mais ou menos fazer parte daquilo. Devia ser um puta ambiente criativo, frenético, uma festa.

Minha mãe assina a “Veja” desde meados dos anos 90. Não lia, folheava apenas quando era novo, e adorava aqueles anúncios feito por gente das agências W/Brasil e DM9. Passei a lê-la com afinco mais tarde, e peguei mais gosto pela leitura. Foi por ela que comecei a aprender sobre as coisas e passei a escrever melhor, inclusive. Depois conheci a “Superinteressante”, que dispensa comentários. É a melhor revista hoje no Brasil. Ponto.

Hoje, se diz muito que o impresso vai acabar em detrimento do digital. Que o jornalismo vai acabar. Que isso e aquilo vai acabar.

Eu não sei o rumo que as coisas vão tomar. Só sei que o que está matando a criatividade nesse meio todo – e coloco a publicidade nisso – é nossa falta de ideias, o debate, a vontade e coragem de fazer diferente. Um mal que nos acomete aqui nestas terras.

Sim meu caro, o que mata o jornalismo, a propaganda, a televisão, o cinema, a música, enfim, qualquer atividade da indústria criativa no Brasil é a nossa falta de culhões. Falta de colocar a cabeça para funcionar e pensar fora da caixa. É a cultura do consenso. É o “bundamolismo”.

E não há sinal de que isso vá mudar, porque ao que parece todo já se rendeu. O Brasil se resumiu a isso: vá lá, faça como todo mundo para não ser considerado um merda, ostente e leve sua vida fútil. Inovar é “coisa para americanos”, a nossa indústria é uma piada mesmo e sempre será assim. Faça lá algo que pague bem porque viver de ideias aqui é bobagem. É só ver: tudo o que se consome por aqui, desde séries à jogos de futebol, são de fora do país. Convivemos numa boa como o fato de Buenos Aires sozinha ter mais livrarias que o Brasil inteiro. Afinal, temos a Copa. E é isso aí.

Sabe, além de querer crescer como economia, gostaria que crescêssemos como povo também. E penso que nós precisamos.

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