Por uma crítica de games mais crítica

Eu acesso com razoável frequência sites de críticas de games casuais, como o Gamezebo e TouchArcade. Considero ambos boas referências, visto que eles dão espaço para jogos de variados espectros, de grandes e pequenos estúdios. Mas não é disso que quero falar.

Uma coisa da qual sinto falta na área de games – e que muitos comentaram inclusive nesta semana, com a morte do crítico de cinema Roger Ebert – é de uma crítica mais séria de games. Alguém que coloque uma análise realmente interessante do que é feito. Que tenha uma visão ampla do assunto, não só na parte do que é ou não divertido, mas também veja a questão gráfica, tecnológica, do marketing e – porque não? -, cultural. Que não se contente com um pouco de diversão e preze pela inovação e diversão combinada a isso.

Tenho visto muita repetição em games que baixo/compro para iOS. E compro esses jogos baseados em críticas, que dão notas altas para um jogo que, francamente, não vou ter interesse em jogar por já ter jogado algo semelhante antes.

Por exemplo: Temple Run. Um jogo que chamou a atenção por ser diferente, viciante, divertido e bem acabado. Beleza. Eu concordo e acho um belo jogo (embora não goste muito de jogá-lo, reconheço a criatividade). Tão influente que gerou vários “derivados”, em que você corre sem fim buscando uma melhor pontuação. Clones estes que, em vez de serem um pouco diminuídos pela crítica, foram saudados como divertidos, diferentes etc. etc. Resultado: você vai lá na loja, compra, fica cinco minutos jogando e o esquece. Porque já jogou algo parecido, então não tem lá muito interesse.

Daí você vai retrucar: “pô Francisco, mas eles só dão espaço para jogos bons, ninguém vai criticar mequetrefes”. Poderia ser, mas nem sempre é assim. Nesta semana foi lançado o jogo Sonic Dash (sim, aquele da SEGA). A crítica diz que ele é o mesmo que um Temple Run, sem inventar muito e que, segundo alguns, dá crash no iPod Touch. Mas mesmo com esses problemas há críticos que super-elogiaram ele. Só pelo hype de ser o Sonic. E acho importante criticar “sucessos mequetrefes” também, pois nele podemos tirar lições daquilo que dá certo ou dá errado. Ainda mais numa indústria que está em eterna infância, devido às novas tecnologias que surgem de tempos em tempos.

Uma crítica mais contundente poderia destacar a separação dos games mais diferenciados do que é carne de vaca. Poderia forçar os criadores a buscar mais inovação. Acredito que, no futuro, estes personagens surgirão. E serão como Roger Ebert foi para os filmes.

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