A web da qual sinto falta

Sinto saudades da Web dos sites novos, dos blogs e wikis. A Web, hoje, estranhamente se reduziu a um parque de diversões em que acessamos só uns cinco sites.

Estou para escrever este post há cerca de um mês, inspirado neste texto ótimo do Gizmodo, em que o autor explicita os descaminhos que a Web tomou (se não quiser ler todo o texto comece a partir da parte “De volta para o futuro”).

Acredito que percebi que trabalhar com internet poderia ser algo legal mesmo uns seis anos atrás, quando estava na faculdade de comunicação. Era o início da discussão em torno da Web 2.0. Víamos que ferramentas como blogs, Flickr, Wikipédia e o Youtube representavam o futuro  (na realidade, já eram o presente na ocasião) da produção de conteúdo. A mídia de massa, que “comandava” a produção no estilo emissor -> receptor (no caso, nós), dava espaço para um sistema emissor <-> emissor. Dane-se a TV e os jornais: poderíamos montar nossos próximos programas usando o Youtube.

Ok. Restringindo ao Brasil: passaram-se os anos e o que vimos? Que estamos numa Web de uns cinco sites, em que apenas se tornar famoso nas redes sociais virou o importante?

Você vai dizer que estou com azedume e mal humor, mas na realidade só queria lamentar como limitamos o potencial da rede, nivelando para baixo. As coisas incríveis que poderiam ser feitas com o Flickr deram espaço para fotos de pratos de comida no Instagram. Os textos longos, com fotos, gráficos e tudo o mais que os blogs permitem deram lugar às poucas frases postadas no Facebook e Twitter, onde o importante não é nem o conteúdo mas sim o número de curtir e retweets que se consegue para satisfazer o ego, como se isso fosse a única coisa importante, “veja como sou famoso”.

Para falar a realidade, sinto falta até dos fóruns do orkut, onde encontrávamos gente dos mais variados conhecimentos, em detrimentos da rede Big Brother Facebook…

Essa Web “fechada em si” em grande parte é culpa de empresários que só querem saber de “lançar um serviço que revoluciona [por alguma coisa besta aqui, tipo ‘troca de informações’] entre as pessoas”, que na realidade é BEM MENOS importante do que é (ex.: Pinterest) e que as pessoas no clima de boiada partem maciçamente, em detrimento de participar de algo realmente quente como Kickstarter ou GitHub – estes sim, realmente importantes e não tão valorizados como a rede do Zuckerberg – figura que se tornou objeto de culto de empreendedores por ficar bilionário com seu site e que, sinceramente, desejo que nos próximos anos pessoas assim sejam relegadas ao esquecimento junto com suas ideias especulativas…

Enfim, espero que voltemos a ter brilho nos olhos e consigamos sair desse círculo fechado dessas redes sociais. Mudando elas ou então os usuários.

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