As grandes viradas tecnológicas na história dos videogames

Voltando a falar um pouco da história dos videogames (como fiz com o futebol em um post anterior), retomo o mote a partir de agora, porém falando em alguns momentos em que a tecnologia fez a diferença. Segue o texto.

Domínio japonês

De fato, o mercado de videogames domésticos surgiu nos EUA. Porém, nos anos 80, fabricantes japoneses como Nintendo e Sega passaram a dominar o mercado graças à tecnologia superior na exibição de gráficos. Enquanto tanto o Atari 2600 como os japoneses Famicom e Master System eram movidos à processadores de 8 bits, a qualidade gráfica e sonora dos games da terra do sol nascente era muito melhor (a estagnação da Atari eu explico no final do post). A partir daí os fabricantes do Japão passaram a dominar o mercado, sofrendo depois alguma concorrência dos americanos, com o XBox e jogos para dispositivos mobile (mas mobile dá para contar? Sei lá).

 

Sonic e seu spin-dash veloz

O Super Nintendo sempre teve jogos mais bonitos visualmente do que o Mega Drive. Porém, na parte gráfica o Mega Drive tinha um quesito superior: a atualização de tela muito mais rápida do que a do SNES. Aproveitando-se disso, a Sonic Team (equipe responsável pelo game Sonic) lançou um game que tirava proveito disso. Era uma experiência quase psicodélica jogar com o o ouriço (?) azul correndo pela tela. Sonic fez muito sucesso e incomodou a concorrente.

 

Cartuchos mais espaçosos

É claro que a Nintendo não ficou parada. Nessa mesma época do início dos anos 90 foi lançado o game The Legend of Zelda: a Link to the Past, considerado um dos melhores games de todos os tempos. Enquanto os cartuchos comuns do SNES usavam 512 KB de capacidade de armazenamento, o Zelda veio com o dobro de tamanho (1 MB), permitindo que mais informações fossem armazenadas, permitindo um cenário mais amplo e história mais rica. A sacada de usar cartuchos mais espaçosos também fora usada por outros jogos.

 

A invenção do first-person shooter

Screenshot de Doom.
Screenshot de Doom.

Doom, da id Software, entrou para a história e já foi considerado um dos maiores jogos de todos os tempos. Embora o Wolfestein 3D (da mesma empresa) tenha vindo antes, foi Doom que ficou marcado, não só por seu excesso de violência – um problema dos games nos anos 90 – mas pelo seu visual realista: cenários com luzes e sombras, elevadores e declives, texturas detalhadas… e o mais incrível: tudo isso rodando no DOS. Além disso o jogo já tinha uma pegada de humor que seria super-explorada no famigerado Duke Nukem 3D.

 

Videogame para todos

A Nintendo estava mal depois do mal-fadado GameCube. Ela conseguiu, porém, virar o jogo com o Wii. Com seus jogos simples e seu controle sem fio, se tornou o console mais vendido da sua geração. Ao contrário dos “possantes” e mais nerds XBox 360 e PS3, o Wii fez sucesso com games ingênuos para jogar de pé e em grupo, por gente das mais variadas idades.

Aqui cabe uma lição: até uma empresa gigante, com faturamento alto e marca forte, precisa arriscar em inovação para poder virar um jogo. A Atari, por exemplo, sofreu decadência após ser vendida para a Warner, na década de 70. Sem entender o negócio e querendo fazer apenas o “feijão com arroz”, a Warner deixou a Atari ficar para trás, mesmo ainda tendo as cabeças brilhantes que fundaram a empresa no grupo, como Nolan Bushnell – que tiveram suas novas ideias silenciadas pelos executivos da Warner (como games multiplayer, ideia incrível de Bushnell já no início dos anos 80, e que não foi levada à sério).

E a Nintendo, que insistiu no feijão com arroz por um tempo, conseguiu “virar o disco” e lançou o Wii. Mas também, tendo um gênio como Shigeru Miyamoto no comando, aí fica fácil. 😀

 

Última atualização: 28/01/2013 – 10h42.

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