Sobre jogar projetos no lixo – e também sobre a nossa cultura derrotista

Bom pessoal, vou explicar o título acima dividindo o texto em duas partes.

1 – Projeto no lixo?

No caso, estou falando de um jogo que estava (?) desenvolvendo, o “Pollus”. Vou ser curto e breve: eu me enchi do projeto. Sim, a paciência acabou total. Daí vem a explicação…

Eu estou meses no projeto. E realmente enfiei os pés pelas mãos: eu mudei a dinâmica do jogo absurdamente 3 vezes, tive reviravoltas loucas com relação ao Level Editor, a falta de planejamento foi demais e principalmente estou ainda tendo problemas de performance no Linux devido ao fato de o projeto ser maior do que o Flash Player do sistema suporta (o game às vezes funciona e outras não, e não encontrei a explicação), além de ele ser apenas Web (a adaptação ao mobile realmente não vingaria).

Além de tudo, eu cometi outro absurdo: querer a arte do jogo antes da proposta. Resultado: estou com objetos a mais no jogo que precisam de ilustrações e, além disso, não consegui contato com o ilustrador. Estou em um mato sem cachorro.

Outra coisa que não posso repetir é a “reclusão”. A opinião alheia sempre tem relevância, e eu me fechei em mim no projeto.

Se não posso dizer em “jogar o projeto no lixo”, então vou colocá-lo na gaveta, para tirá-lo no futuro.

Pessimista? Nada disso

Daí você vai pensar que nada disso valeu a pena. Mas muito pelo contrário. Eu aprendi muito, MAS MUITO MESMO, com esse projeto. Aprendi que é preciso ser menos afobado e fazer iterações, testando as capacidades do game antes em vez de querer acabar tudo de uma vez, entre muitas outras coisas. Aprendi muito mais sobre física. Realmente, acho que estou pronto para fazer games, devido à quantidade de obstáculos com que tive que lidar.

De fato, vou priorizar a simplicidade, a ideia/conceito, o teste e a organização. E jogar fora a pressa, a falta de planejamento e a reclusão. Minha meta é fazer um jogo a cada três meses. Posso até mudar esse prazo, mas a intenção é essa.

2 – Sobre a nossa cabeça

Para emendar com a parte 1, gostaria de falar sobre o projeto que dá errado.

No Brasil – e isso nós herdamos dos nossos pais, avós, etc… – nós tendemos a dar mais valor às derrotas do que às vitórias. Sendo que nos EUA, por exemplo, não é assim: erros são muitas vezes vistos como medalhas de honra ao mérito, como um indicativo de tentativa de evolução. Roberto Carlos foi campeão do mundo pela seleção, mas só lembram da cena dele arrumando o meião.

Eu, por exemplo, por muito tempo fui assim, desistindo na primeira tentativa. Fui muito influenciado infelizmente pelo meu pai, que sempre me estimulou a mudar no primeiro revés, e ao longo do tempo perdi muitos anos, e lamentavelmente percebi isso tarde.

Também apontaria aqui que melhorei nesse quesito.

Não pretendo arredar pé do desenvolvimento de games. Neste ano de 2013 provavelmente tocarei outros projetos – estou pensando em trabalhar com e-commerce, para se ter uma ideia – mas continuarei com os games.

–x–

E é isso.

Já tenho uma ideia na cabeça do que pretendo fazer, aguardem os próximos capítulos. 🙂

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