O sonho do “jogo perpétuo”

Acredito que todo desenvolvedor, designer, projetista de jogos e também jogador que vislumbrou um dia criar jogos já foi afetado pela fantasia do “jogo perpétuo”.

Pelo termo “jogo perpétuo” que acabei de criar entenda como uma referência ao moto perpétuo, aquele sonho (comprovadamente impraticável pela física termodinâmica, diga-se) de um mecanismo que consiga gerar energia infinitamente, sem precisar de uma força motriz (água, gravidade, calor, etc.) para fazê-lo funcionar. Conseguindo gerar mais energia do que consome, ele ficaria eternamente em funcionamento.

Por “jogo perpétuo” me refiro a um possível game que não tem um roteiro, um objetivo, pré-definido: vários caminhos podem ser tomados para se chegar a um determinado fim. Ou talvez sem fim: infinitamente o jogo se reinventaria de acordo com a colaboração dos jogadores ou do próprio sistema (via inteligência artificial avançadíssima, talvez). A narrativa seria extremamente não-linear (os games já são não-lineares, mas seriam ainda mais) e mudaria toda hora, o que diferenciaria brutalmente os games dos livros ou cinema (lineares), e uma mecânica cheia de verbos (fugindo do pular, atacar, mover personagem…).

Desenho de Leonardo Da Vinci, o mestre das invenções falhas, sobre moto perpétuo.
Desenho de Leonardo Da Vinci, o mestre das invenções falhas, sobre moto perpétuo.

 

Jesse Schell, no seu livro “A Arte do Game Design“, trata desse assunto, inclusive. Ele explica que uma tentativa nessa direção tende a estragar um jogo, por motivos simples, entre eles a possível frustração do jogador (se um jogador tem a oportunidade de usar A ou B para atingir o nível C, e usa o caminho A, ele poderia ficar frustrado em não ter experimentado B por imaginar que poderia ter sido mais fácil, por exemplo). Ele menciona, claro, que esse é um sonho que sempre atinge em algum ponto da vida o game designer, mas que todas as tentativas feitas a esse respeito falharam copiosamente.

Mas, quem sabe, um dia não teremos um game bem-sucedido e que faça uso desse conceito (nem que seja 1% do conceito). Mas, por enquanto, a ideia de jogo continua como um mito. Igual ao moto perpétuo.

 

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1 pensamento em “O sonho do “jogo perpétuo””

  1. Já encontrei um falha na lei da termodinamica, acredito que ela só precise ser reformuladae não iguinorada; meu pensamento é o seguinte.
    Apartir de algo que esteja parado aplico uma mecanica nele para que ele para que ele possa receber a resistencia do trabalho a ser realisado, transformo o imovel em movel e obtenho uma mecanica que se comporta da seguinte forma, um sistema com duas engrenagem de mesmo raio e com a mesma velocidade se rotação, uma do lado pode ser movida com facilidade, a outra de forma alguma consegui mover a outra, pois ao ser forçada tende a mover o imovel, aproximando as duas fazemos uma pequena ligação entre as duas para que a engrenagem imovel force a movel, assim a engrenagem movel adquira movimento e alimenta a outra, apartir do ponto inicial não há como saber até que velocidade ela possa alcançar pois vai depender da resistencia do metal que a meu ver é quase um por um.
    todo o processo de montagem obedece as leis da fisica, mais ele pronto não obedece,Obs, o controle do motor depende da força que a engrenagem imovel aplica e movel, apartir do momento que é retirada o motor ia parar.

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