O fim dos “games bobos”?

Costumo ser visitante habitual de sites de games casuais, em especial do ArmorGames (famoso e meu favorito, e que, na minha opinião, tem os melhores jogos), do Kongregate e Miniclip (mais conhecidos). Não necessariamente para jogar – aliás, isso é o que menos estou fazendo por falta de tempo, o que não é desculpa, pois para alguém que deseja viver do desenvolvimento de games e leva isso à sério precisa experimentar e conhecer novos gêneros, experiências e outros.

Geralmente acesso o ArmorGames e vejo os jogos mais recentes. Abro os com melhores notas do público e confiro. Tento prestar atenção à tudo: usabilidade do jogo, roteiro, gráficos, tecnologia, gênero (mistura ação e estratégia? é puzzle?), controles (é fácil de manipular? tem muitos botões), aos “verbos” (o que é possível fazer no game? dá para fazer mais coisas além de pular, correr e atirar com o personagem?), sistema de pontuação… mas neste texto em questão queria tratar de outro assunto, sobre um possível fim dos “games bobos”.

Digo isso pelo fato do site da AG começarem, há pouco tempo, a dar espaço a jogos mais “sérios”: me refiro aos MMOs, jogos que tem um modo de jogar completamente diferente dos games casuais, que são mais fechados em seu mundo, com esquema simples de pontuação e roteiro, tendo como característica mais oposta aos MMOs o fato de ser single-player, enquanto os MMOs tem uma face mais “social” (não só no sentido de ser multi-player mas também ligado às redes sociais).

Visitando a seção de MMOs, vi jogos mais densos, com visual mais bem polido, e mesmo jogando pouco, bem “por cima”, me passaram uma experiência mais interessante, rica e atraente. Se eles não são realmente deste jeito, por ter analisado pouco, vejo mesmo assim um grande potencial.

Spiral Knights
MMO “Spiral Knights” – clique para ampliar

Voltando um pouco aos games casuais, queria discutir sobre um possível colapso dos games mais “bobos” (link de matéria da revista Veja em PDF) perante um público mais exigente (?). Um exemplo nesse caso seria o Draw Something: o tempo em que se tornou um sucesso foi proporcional ao seu esquecimento (embora tenho tornado seu criador rico, mas isso já é mudar de assunto). Enquanto isso, jogos “grandes”, como as famosas séries de futebol e de FPS, se mantém vivas.

Bem, chegando a esse ponto, gostaria de dar meu pitaco nisso tudo: acredito que teremos games casuais assim como sempre existiram, existem e existirão os jogadores casuais. Mas penso que para uma franquia de game casual se manter viva por anos, ela terá que se (re)inventar em vários conceitos, tendo como principal questão a do game design.

Jogos como o Angry Birds são um sucesso absoluto e contínuo, e acho que isso se deve à alterações constantes em como novas versões são feitas. Por exemplo, além do modo tradicional – estilingar pássaros contra porcos e obstáculos – já foi lançada uma versão temática do filme “Rio”, outra passada no espaço (em que a física era diferente), outra para Facebook, outra tendo os pássaros como alvo… enfim, procurando fugir da mesmice e do lugar-comum. Mesmice que é marca registrada do Draw Something, em que você só faz a mesma coisa sempre: desenhar e adivinhar desenhos dos outros. A tal carência de “verbos” em um jogo.

Além disso, com o avanço tecnológico dos dispositivos móveis (tablets e smartphones) e de plugins como o Flash e Unity (usados na Web e em mobile), que permitem melhores gráficos, e a chegada do 4G (em especial no Brasil), a tendência é que se explore mais o 3D e recursos de áudio (mas não como regra), e mais sociais, possibilitando a criação de experiências mais ricas ao jogador.

Enfim, não tenho bola de cristal, mas acho que as produtoras agora têm mais ferramentas nas mãos. Agora, são as ideias que precisam mudar.

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3 pensamentos em “O fim dos “games bobos”?”

  1. acho que, às vezes, há uma confusão entre ‘bobo’ e ‘simples’. Jogos simples sempre terão espeço, pois não importa o quanto a tecnologia avance, sempre tem pessoas que jogam games casualmente e preferem jogos fáceis de mecânica e jogabilidade simples. Jogos bobos não têm ‘enredo’ e tão rápido quanto surgem, saem da lista dos mais procurados.

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